Reforma Tributária não precisa ser um “bicho-papão” para as empresas

Data: 25 de agosto de 2025

Categoria: Reforma Tributária

Fernando Brolo*
 

A partir de 1º de janeiro de 2026, a nova legislação tributária entra em cena e, para as empresas, deixa de ser um tema de planejamento para virar obrigação imediata. Adiar a adaptação é apostar no risco: multas por não conformidade, notas que não saem, pedidos parados, retrabalho e uma pressão enorme sobre times que já operam no limite. Há ainda um efeito que pouca gente considera até ser tarde demais: a corrida de última hora por consultoria e suporte costuma lotar filas e alongar prazos, o que pode simplesmente impedir ajustes a tempo. A antecipação, portanto, não é um “plus”: é a diferença entre seguir operando com tranquilidade ou ter de apagar incêndio em plena virada do calendário.
 

O caminho mais seguro começa pelo básico, feito com calma e método. Primeiro, entenda como a Reforma toca o seu negócio: quais linhas de produto e serviço serão mais impactadas, quais rotas logísticas e modelos comerciais exigem mais atenção e onde estão os pontos frágeis do seu fluxo de faturamento. Com esse mapa em mãos, parta para a revisão dos cadastros — produtos, clientes, fornecedores e regras comerciais. Cadastros limpos, completos e coerentes evitam boa parte dos erros que travam pedidos e geram devoluções. Em seguida, ajuste seu ERP para que ele reflita as novas regras. Não precisa virar tudo de cabeça para baixo de uma vez: faça por etapas, começando pelo que tem maior volume e risco, sempre documentando decisões para facilitar auditorias e futuras manutenções.
 

Testar é tão importante quanto configurar. Simule os cenários do dia a dia: emissão e recebimento de notas, pedidos com descontos, bonificações, operações interestaduais, devoluções e cancelamentos. Quanto mais próximo do seu movimento real, melhor. Se algo falhar no ambiente de teste, você resolve antes que chegue ao cliente. Em paralelo, invista em gente: treine o time de vendas, faturamento, fiscal, compras e financeiro para que todos falem a mesma língua, reconheçam as mudanças e saibam como agir.
 

Organizar a virada também é essencial. Defina um plano com marcos simples: o que precisa estar pronto em 90 dias, o que fica para os 60 e o que fecha nos 30 finais. Reserve janelas de testes e validação com as áreas envolvidas e combine um período de acompanhamento mais de perto nas primeiras semanas de 2026. Nesse período, tenha um canal único para incidentes, priorize o que afeta faturamento e atendimento ao cliente e registre cada ocorrência para ajustes rápidos. Use métricas simples para acompanhar a saúde da operação: taxa de notas emitidas sem erro, tempo médio de faturamento, ocorrências por pedido e impacto em prazos de entrega. Esses números mostram se a adaptação está funcionando e onde ainda há atrito.
 

Vale reforçar um ponto sensível: a concentração de demandas por serviços de consultoria e suporte técnico nos meses que antecedem a obrigatoriedade da Reforma pode gerar um volume de solicitações que exceda a capacidade de atendimento imediato. Traduzindo: quem deixa para a reta final corre o risco de não conseguir agenda. Garantir uma janela de atendimento com antecedência é parte da estratégia para manter a operação rodando sem sobressaltos.
 

Para quem usa Protheus, a recomendação é objetiva: mantenha o sistema atualizado, faça os ajustes de configuração necessários de forma planejada e registre tudo. Pequenas automações que eliminem digitação manual ajudam a evitar falhas; relatórios simples, com o que realmente importa, dão visibilidade e agilidade para decidir. Se quiser usar inteligência artificial, faça isso de maneira pragmática: para checar consistência de dados, resumir indicadores e apontar anomalias. Não é sobre modismo, é sobre reduzir erro, ganhar tempo e manter a operação fluida.
 

No fim do dia, a Reforma não precisa ser um bicho-papão. Com diagnóstico claro, ajustes bem planejados, testes que imitam a vida real e um time preparado, é possível atravessar a transição com segurança e ainda capturar ganhos de eficiência, previsibilidade e margem. Quem se antecipa chega em janeiro com a casa arrumada; quem espera a virada corre atrás do prejuízo. Se precisar, estamos prontos para apoiar da avaliação inicial à estabilização em produção, com a profundidade de negócio e a visão prática que esse momento exige.
 

*Fernando Brolo é empresário e CSMO da Logithink

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